segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Sábado, 27.Set.08

O último dia começa na véspera!
É sempre assim, não é?, os dias começam nos anteriores! :D Mas aqui o que eu quero dizer é que como íamos de comboio outra vez para Moscovo, começámos a sentir o "gostinho a último dia" logo na véspera, ainda sexta, ainda em São Petersburgo.

Depois da visita à casa do Dósto e do passeio pela fortaleza de São Pedro e Paulo, jantámos outra vez nos crepes do Blinnyy Domik que era o sem surpresas do BB (bom e barato) e ficámos a fazer tempo até ao comboiinho.
O comboiinho não tinha nada a ver com o primeiro :(
By the way, aqui ficam fotos do night train to Saint Petersburg que, por impossibilidades técnicas, não puderam ser publicadas no post respectivo.


Vêem?
Um luxo! Foi por isto que pagámos muito mais do que a Ana-amiga-da-Rita, mas ok, valeu a pena. Agora, o comboio do regresso.... olhem: onde aqui se vêem os plásticos rígidos tipo os dos aviões, imaginem madeira; onde aqui vêem lençóis e edredons, imaginem trapos rotos que ora faltam na cabeceira ora faltam nos pés; o colchão que aqui vêem, virou um colchão de palha, mais pequeno e com o desconforto que isso tudo implica; os cortinados beje e a alcatifa sóbria transformaram-se em reposteiros do século passado, com cornucópias e brocados, já para não falar do pior que foi a sensação de que ali se acumula pó de vários anos, fazendo dos tecidos verdadeiras incubadoras para espécies microscópicas em vias de extinção!

Olhem, foi um desalento tal que não tirámos mais do que estas duas fotos porque queremos guardar na memória o night train de ida e nem nos lembrarmos do de regresso!









Mas a pontualidade manteve-se: chegámos a Moscovo às 8h.
Como dominamos o metro, vá de arrastar maletes até à estação do Sheraton outra vez. A Su ia em sérias dificuldades e nós os três arriscámos a lambada bem acente, com as costas da mão! :)

Com as malas guardadas até que o transfer nos viesse buscar, fomos visitar o que nos ficou a faltar no início da semana: o mausoléu de Lenin.
Fotos não há porque têm um militar a cada cinco metros a mandar-nos calar e andar e, bem entendido, fotos nem pensar! Aliás, o John teve que ficar de fora com as malas e as máquinas porque não dava de maneira nenhuma (não era tipo Hermitage onde há uma distância enorme entre o "não dever" e o "não poder"! ;D).
Acima de tudo, eu acho que eles não deixam tirar fotos porque aquilo é mesmo uma macaquesa... Bom, eu também nunca vi outro homem embalsamado e se é assim que eles ficam, ok, calo-me já. Mas que parece um (mau) exemplar do Madame Tussauds, ah lá isso parece, amigos! Inclino-me a concordar com o rumor de que não será o verdadeiro senhor Lenin que ali descansa...

Pouco tempo para muito mais. Ao contrário dos outros dias todos em que tivémos sempre um sol radioso, o céu estava escuro e cinzento e chovia que se fartava, como se a Rússia estivesse triste por nós já nos irmos embora. E eu, e eu, que triste estava por deixar a minha Russinha! Big Macs com os últimos rublos que sobravam (e ainda andámos a catar do chão! Tantas moedas que encontrámos no chão, tantas... um fenómeno quase como o das noivas ou o da falta de capas nos saltos delas!), regresso ao hotel, transfer e Domodedovo outra vez.
:( Queremos mais!

domingo, 12 de outubro de 2008

A casa de Dostoiévski

No último dia em São Petersburgo já andavamos os 4 completamente lisos de rublos, mas, tipo, a contar os que restavam e a confrontar com as refeições que faltavam, hã?! Abaixo dos mínimos da pelintrice, completamente! :)
Ainda assim, não podia deixar de entrar chez Dósto - o b v i a m e n t e !















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Eu sei que já disse isto aqui e que me estou a repetir, mas foi mesmo uma sensação brutal, como se fosse visita daquela casa nos anos 80 de 1800, como se fosse amiga da família! É ser-se fã.
Ou isso ou senilidade precoce.





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Depois de visitar o apartamento 21 do 2º andar, ainda havia uma sala interactiva com um bombom para mim: as edições originais do Irmãos Karamazov,
d'O Idiota, dos Demónios

e do Crime e Castigo.

Quis roubá-los da vitrine e trazer pra casa, mas lembrei-me que estávamos na Rússia e que era melhor não facilitar, porque os tipos são certeiros!

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

São Pedro e São Paulo

A Catedral de São Pedro e São Paulo fica dentro da fortaleza com o mesmo nome e numa ilhota do outro lado do Neva. No caminho para lá (tínhamos o dia todo! quase que se me íam explodindo os vasos capilares das pernas outra vez!), deparámo-nos outra vez com o fantástico espectáculo das noivas russas (está prometido pelo Saritão um post inteirinho dedicado às noivas russas).
O passeio foi dos bons, com o sol a ajudar, com as noivas a fazer rir, com o John a fazer chorar a rir, com esta maravilhosa vista ao chegar:






MAS O QU'É ISTO?!

Esta malta vem práqui apanhar banhos de sol? E de pé?! Oh valha-me Deus!!
Mais escandaloso ainda: têm uma praia com areia ali mesmo do outro lado da fortaleza!! :)) O giro da Catedral de São Pedro e Paulo é que estão lá os túmulos dos Romanov todos, incluindo a Catarina a Grande, de quem o Saritão ficou grande fã. Além disso, muitos dourados, muitos ícones, muita dose de imperialismo.

No regresso ainda démos por nós na Dostoevskaia, a minha praça favorita de São Petersburgo por razões óbvias (:p):

(aqui, escangalhada a rir com qualquer disparate que o John terá dito! Foi a constante das férias.)

domingo, 28 de setembro de 2008

Sexta, 26.Set.08

O último dia de hotel comecou tão bem para mim... FUI (e desta vez quero dizer "entrei", mesmo) À CASA DO DOSTOIEVSKI, FINALMENTE!
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É o êxtase, o delírio, a sensação de que já ali estive sem ter estado, a sensação de que fazia parte da família de Fiódor Mikhailovitch Dostoiévski eu própria. Entre objectos pessoais e o excitamento de saber que ali, naquelas salas, naquele escritório, nasceu o Irmãos Karamazov, ainda consegui ter lucidez e aguentar as pernas bambas de emoção para ir checar os originais de Demónios, O Idiota e Crime e Castigo. Quis roubá-los para mim!
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Ler agora o Noites Brancas, depois de ter estado em São Petersburgo e depois de saber exactamente onde fica cada sítio, cada rua e cada praça de que ele fala, faz ainda mais sentido. É como quem agarra num Eça qualquer e consegue sentir-se a passear numa Av. da Liberdade oitocentista, de chapéu alto e bengala ou de sombrinha e vestido de folhos. É o conhecer o que se está a ler, é o saltar aos gritos de "eu estive aqui, eu estive aqui!!", é o saber que realmente o livro é bom.
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Fomos os 4 para São Pedro e São Paulo, eles os três andando e eu levitando de êxtase em cima de uma nuvem, com um sorriso gigante e a alma alimentada, pela Avenida Nevsky fora até à marginal...
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quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Quinta, 25.Set.08

Queridos leitores,
Hoje o dia estava reservado a visitar o Hermitage. Esse, um dos maiores museus do mundo e que, 'diz que', se estivermos 1 minuto a apreciar cada uma das obras de arte do museu, durante 8 horas diarias, arriscamo-nos a passar la os proximos 15 anos da nossa vida! E nos nao queriamos isso ...

Assim sendo, dedicamos o nosso tempo 'as zonas que nos interessavam mais como  todo pala'cio de inverno e as coleccoes de pintura europeia dos seculos XIX e XX. Isto foi coisa para nos ocupar a manha toda e estavamos com o Hermitage carimbado la pelas 15h (incluindo almoco!).

Rsrsrs ... e agora? Apetecia mesmo era um lanchinho. Fomos andando sem destino, so' passeando pelos canais a apanhar um solzinho na cara (ainda vamos daqui com bronze, querem ver?) Demos por nos na feirinha frente 'a Catedral do Sangue Derramado (sim, aquela dos chapelinhos 'as cores!). La' saltou mais um quadro arrematado sem grande regateio (a paciencia ja' nao e' muita!) para a familia Su-John, mas aqui as co-autoras refrearam o seu impeto consumista (mais o meu, pois claro!) e conseguiram nao comprar nada! O lanchinho acabou por ser no MacDonalds. Nao nos vamos alongar neste tema.

Fomos dali para o Mariinsky levantar os bilhetes, lembram-se? hoje foi dia de Ballet.

Adorei! Adorei! Adorei! As expectativas eram altas, ou nao fossem eles uma das maiores escolas de Ballet do mundo. a musica era Tchaikovsky e Biset, a coreografia de Georges Balanchine. Foi um espectaculo lindo! Elas estavam o maximo, no primeiro acto de saias compridas e no segundo de Tutus!!! Princesinhas!!! Lindas!!! (Fez-me lembrar o porque de querer regressar ao ballet!). Enfim,  estavamos ja' no meio de uma noite memoravel quando ...

acabamos por jantar num outro restaurante sugerido pela Ana-amiga-da-rita-amiga-da-pipas, o Blinnyy Domik, que serve panquecas (outro prato super tipico da Russia) e que nos deixou consoladitos.

Ponto alto do dia - qual Hermitage qual que - o BALLET MARIINSKY e' que e'!!


sms

Em resposta a um pedido, aqui ficam, alem das descricoes dos dias (que nao conseguimos resumir em sms e por isso e' que fizemos um blog ;p), algumas informacoes concretas e de ordem pratica:

Tempo:Faz frio, nao sabemos dizer quantos graus, mas deve andar pelos 10, maximo. Mas como esta sol, e' suportavel. Alias, andamos encasacados e de echarpes, mas se fizermos a nevsky toda do lado do sol, temos que nos por quase em mangas!

Comida: Boa. Mas carissima. Os fast foods sao iguais em todo o lado (curiosidade: no Mac nao existe o conceito "menu"! Ou pelo menos nao conseguimos percebe-los nos catrapazios e nao nos conseguimos explicar!), mas a comida russa, georgiana e do caucaso em geral e' ao pontape'. Nos pequenos almocos temos serias dificuldades em encontrar um paozinho e uma manteiguinha (v. post anterior).

Transportes: Sao velhos mas funcionam bem e, depois de entender o cirilico, ainda melhor. O metro de Moscovo e' um museu subterraneo, qualquer estacao esta' ricamente ornamentada, mas o mais impressionante e' que passam comboios de dois em dois segundos e a coisa realmente funciona, sendo que se trata de uma rede gigantesca. O metro de SP ainda nem conhecemos. Nao e' preciso. Como a cidade e' linda por fora...

Pessoas: Em Moscovo: feias, mal vestidas, mal cheirosas, antipaticas e em cada esquina ha um bando de militares (o exercito continua a ser o maior empregador da Russia, especialmente para miudos entre os 18 e os 30). Em St. Petersburgo: ha de tudo. Mas notamos que nao se vestem tao mal (arriscamos mesmo a dizer que rocam o fashion), nao sao tao antipaticas (algumas pessoas ate falam ingles!!). 'A noite, em Moscovo, e' quase sinistro andar na rua, mas em St Petersburgo, nao, anda toda a gente na rua e ha' um movimento como se fossem duas da tarde. Nota comum: andam todos sempre a correr, nao se desviam, os espacosos, e elas nao trazem capas nos sapatos. Nunca. E' um fenomeno. Ate' faz impresao nos ouvidos o constante toc-toc-toc-toc, irra.

Transito: caotico e perigosissimo nas duas cidades, uma coisa indescritivel!

Impressao geral: Moscovo e' a capital do comunismo e da era sovietica; Sao Petersburgo e' a capital imperialista dos Czares. Na primeira a imagem comum e' a da foice e do martelo; na segunda a aguia bicefala. Ambas as cidades sao impressionantes, um must see.
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